லூயிஸ் உய்ட்டனின் கண்காட்சி இண்டர்காண்டினண்டல் பயணத்தின் வரலாற்றை விவரிக்கிறது

NOVA YORK – Se fazer uma mala de viagem hoje em dia, na era dos jatos comerciais, dos transatlânticos e dos trens-bala, é um ato comum e relativamente fácil, no final do século 19 e início do 20, a história era bem diferente. Empacotar todo o enxoval necessário para embarcar em uma aventura pelo mundo representava uma grande novidade e requeria um tremendo cuidado. O vestuário era extremamente formal, sofisticado, todo feito a mão, e custava caro. Ninguém queria estragar as roupas que tinha. A evolução da bagagem ao logo dos últimos 120 anos está destrinchada agora na exposição Volez, Voguez, Voyagez, apresentada pela marca francesa Louis Vuitton, em cartaz em Nova York até dia 7 de janeiro.

A mostra começou em Paris, passou por Seul e chegou recentemente ao edifício American Stock Exchange, a antiga Bolsa de Valores de Manhattan. Trata-se de uma jornada à história das expedições, dos meios de transporte, da indústria do turismo, e também da própria marca, que foi fundada em 1854, fabricando baús de viagem.

O curador é Olivier Saillard, um historiador francês aclamado que assinou algumas das maiores exposições de moda dos últimos tempos, sempre com montagens que exploram estruturas e molduras de madeira delicadas e esculturais. Ele conta que ficou fascinado pela história do fundador, que aos 14 anos deixou a família na região de Jura, na França, e viajou por dois anos a pé até chegar em Paris para ganhar a vida como empacotador. “Tentei esquecer um pouco da Louis Vuitton, a grande marca, para lembrar do homem que começou essa história toda”, contou Saillardi em entrevista ao Estado.

Como era um artesão muito talentoso, Vuitton ainda jovem conquistou fama entre a elite parisiense e passou a ser requisitado até para embalar as bagagens da imperatriz Eugênia, sempre que ela precisava acompanhar o marido Napoleão III em suas andanças. Inovou e aperfeiçoou seu produto, primeiro adotando o revestimento de uma lona impermeável e encerada, criando assim o conceito de malas “à prova d’água”. Depois, desenvolveu baús com tampas retas (antes elas eram sempre abauladas), mais fáceis de serem empilhadas nos vagões de trem e porões de navios. São seus famosos “malles plates”. O tour pela exposição começa justamente por aí.

Dividida em dez alas, com cenografia de Robert Carsen, a mostra traz dezenas de baús históricos. Os mais sofisticados eram compartimentados de diversas maneiras diferentes para acomodar apropriadamente os fraques, os vestidos de gala, etc. Estão lá o baú Wardrobe, que mais parece um guarda-roupa com cabideiro e tudo, o baú que vira cama, criado para atender o pedido de um explorador, o que se transforma em charrete, que era usado por nobre viajante, e até o um baú flutuante, para os praticantes de balonismo que, às vezes, caíam no mar. O conjunto de malas caramelo fabricada exclusivamente para o filme Viagem a Darjeeling, do diretor Wes Anderson, também está em exibição.

Entre os estilistas famosos que estiveram à frente da maison, ninguém foi mais fundamental e popular do que o norte-americano Marc Jacobs, que esteve no comando criativo da marca de 1997 a 2013. Foi ele que criou a primeira coleção de roupas da marca, que até então vendia apenas acessórios.

Nessa montagem em Nova York, estão as linhas de bolsas criadas por Jacobs em parceria com artistas contemporâneos, como a japonesa Yayoi Kusama. Há ainda uma sala inteira dedicada aos Estados Unidos, com alguns dos vestidos mais icônicos da Louis Vuitton. A cenografia conta com paredes ilustradas com a famosa estampa de grafite, criada pelo estilista Stephen Sprouse para a grife, em 2001. Nela, os vestidos de enfermeira da coleção de primavera/verão 2008, desenvolvidos por Jacobs em parceria com o pintor Richard Prince, aparecem ao lado das criações de Nicolas Ghesquière, atual estilista da marca.

Estão à mostra o longuete amarelo usado por Alicia Vikander no Oscar do ano passado, no qual foi a vencedora da estatueta de melhor atriz coadjuvante, e o longo branco de Emma Stone na première londrina do filme A Guerra dos Sexos, que marcou seu début como embaixadora da Louis Vuitton.

Peças com inspiração futurista, uma das características marcantes de Ghesquière, também estão representadas, com o modelo metalizado que a atriz Ruth Negga usou no Globo de Ouro deste ano.

A grande novidade da grife, uma linha nova linha de bolsas inspirada em grandes obras da pintura mundial, lançada em parceria com Jeff Koons, encerra a jornada da exposição. Entre elas, há bolsas com imagem da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e de Campo de Trigo com Corvos, de Van Gogh.

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